Versos de Adriano Baptista com que ganhou
o 1º Prémio nos Jogos Florais de Armação de Pêra,
segundo
notícia do Correio Olhanense de 28-09-1949, estavam obrigadas
ao mote seguinte da autoria de António Ferro:
Toda rubra, afogueada,
Pediste ao sol que parasse;
Acedeu ao teu pedido
Mas parou na tua face.
O sol, em febre, no céu
pediu à espuma do mar:
que tecesse um lindo véu,
p'ra contigo se casar...
Desde então do sol te crês
linda noiva, tão amada,
que ficas, assim que o vês,
toda rubra, afogueada.
E quando a espuma, contente,
se estendeu na areia fina
e o sol beijou, ternamente,
tua nudez de menina,
tiveste, amor, tanto medo
que o beijo te devorasse,
que lhe fugiste, e, em segredo,
pediste ao sol que parasse...
P'ras ondas do mar fugiste,
toda rubra, afogueada,
e, envolta em ‘spuma, nem viste
que eras por ele adorada.
Era, enfim —sentiste-o bem —
o mar o mais atrevido…
mas, bondoso, o mar, também
acedeu ao teu pedido.
O sol desfez-se em ciúme...
Revoltado até mais não
brandiu um punhal de lume
p'ra queimar teu coração...
E num despeito profundo,
para que o mar se secasse,
quis incendiar o mundo,
mas... parou na tua face.