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O Liceu e a Escola Industrial e Comercial em Faro foram os grandes pilares do Ensino Secundário até 1960
O Estatuto do Ensino Secundário foi aprovado pelo Decreto nº 20.741, publicado em 11 de Janeiro de 1932, ao tempo do governo do Dr. Oliveira Salazar.
No Sotavento algarvio, no âmbito das escolas públicas de Ensino Secundário, até à década de 1960, apenas existiam o Liceu de Faro e a Escola Industrial e Comercial de Faro.
Com efeito, a Escola Industrial e Comercial de Tavira, foi criada pelo Decreto nº 43.401, de 15 de Dezembro de 1960, e iniciou a sua actividade no ano lectivo de 1961/62. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, passou a designar-se Escola Polivalente de Tavira. Hoje, Escola Secundária Dr. Jorge Augusto Correia.
Por sua vez, a Escola Industrial e Comercial de Olhão, foi criada oficialmente em Agosto de 1962, e começou a funcionar no ano lectivo de 1962/63, sendo instalada de forma provisória no edifício de uma antiga Escola no Largo da Feira (local conhecido por Prainhas).
Na década de 1970, passou para as instalações definitivas, tendo hoje a designação de Escola Secundária Dr. Francisco Fernandes Lopes, num tributo ao ilustre olhanense, que se distinguiu nas áreas da medicina, da música e do ensino.
Quanto a Vila Real de Santo António, o edifício da Escola Secundária foi construído em 1963, sendo o projecto do arquitecto João Laranjo. Iniciando-se no ano lectivo de 1963/64.
Liceu de Faro. Este estabelecimento de ensino foi criado por Decreto de 3 de Janeiro de 1851, ao tempo da rainha D. Maria II, com a designação de Liceu Nacional de Faro. Em 1911, depois da implantação da I República, passou a designar-se Liceu Central de Faro.
Depois, no ano de 1929, o nome foi alterado para Liceu João de Deus, num tributo ao ilustre poeta e pedagogo algarvio. Hoje a designação é Escola Secundária João de Deus.
Ao longo dos anos foram muitos os professores que se distinguiram no Liceu de Faro. Entre eles, queremos aqui referir a Dr.ª Júlia Pires Lopes, licenciada em Germânicas pela Universidade de Coimbra, professora de Inglês e Alemão, que foi docente durante mais de três décadas, sendo residente em Olhão.
Mas muitos docentes são referências do Liceu de Faro, como: Dr. Joaquim Magalhães, Dr. Armando Cassiano (matemática), Dr. Prudêncio, Dr. José Neves Júnior (pedagogo), Dr. Agostinho (matemática), Dr. José Nascimento, Dr. Ramalho Viegas (geografia), Dr. Manuel Viegas Guerreiro e Dr. António Moreira Júnior, entre outros.
Escola Industrial e Comercial de Faro. No ano de 1888, foi fundada em Faro, a Escola de Desenho Industrial Pedro Nunes, conforme publicado no Diário do Governo nº 93, de 24 de Abril de 1888, funcionando na Rua do Município. Mais tarde, no ano de 1908, passou para o edifício construído junto ao Jardim da Alameda.

Este estabelecimento de ensino era também conhecido por Escola de Artes e Ofícios. O nome de Pedro Nunes foi um tributo ao grande matemático do séc. XVI. Mais tarde, o nome seria alterado para Escola Técnica Elementar Serpa Pinto.
Depois, já durante o governo do Dr. Oliveira Salazar, foi realizada a fusão da Escola Comercial Tomás Cabreira com a Escola Técnica Elementar Serpa Pinto, dando origem à Escola Industrial e Comercial de Faro. Hoje, Escola Secundária Tomás Cabreira.
Tinha 7 anos de escolaridade, sendo o 1º e 2º anos o Ciclo Preparatório, depois, o 3º, 4º e 5º anos correspondiam a um Curso de Formação, e os dois últimos anos eram as chamadas Secções Preparatórias.
Entre os professores da Escola Industrial e Comercial, gostávamos de referir: Dr. José de Sousa Uva, Dr. Campos Coroa (médico), Dr. Urbano, Dr. Palaré, Dr. Carlos Lyster Franco, Dr. Furtado (história), Dr. José Afonso (Zeca Afonso), mestre Palminha, Dr. Passos (inglês), Dr.ª Cândida (português), Eng.º Martiniano Leal e Eng.º Osvaldo Bagarrão, entre outros.
No Algarve, as Secções Preparatórias existiam apenas na Escola Industrial e Comercial de Faro, pelo que todos os alunos que pretendiam continuar os estudos, juntavam-se em Faro nos dois últimos anos de escolaridade. Desta situação resultaram convívios e amizades, entre alunos de diversas localidades, que nalguns casos se mantiveram por toda a vida.
Mas nem todos os alunos tinham possibilidades económicas, e condições logísticas, para se deslocarem para Faro e frequentar as Escolas Públicas de Ensino Secundário. Eram muitas horas perdidas em transportes por dia, como o exemplo que damos a seguir.
Na década de 60, tivemos um colega na Escola Industrial em Faro, que todos os dias vinha da Corte António Martins (cerca de 8 Km ao Norte de Vila Nova de Cacela). Abalava de casa de madrugada, seguindo de bicicleta a pedal até à estação de Cacela. Aqui apanhava o comboio, que o levava até ao emblemático apeadeiro do Bom João, onde chegava cerca das 8,15 horas, e fazia a pé o pequeno percurso até à Escola Industrial.
Ao fim da tarde, Mário Madeira Gonçalves, assim se chamava o meu colega (já falecido), apanhava o comboio no apeadeiro do Bom João, e iniciava a viagem de regresso até à aldeia, onde chegava já pela noite a dentro.
Estabelecimentos de Ensino Particulares e Centros de Explicações
Pelo que atrás referimos, foram muito importantes os estabelecimentos de ensino secundário particular, assim como professores que davam explicações, que ao longo dos anos foram existindo em diversas localidades do Sotavento, nomeadamente em:
Olhão
- Colégio Olhanense, criado em 1937, pela professora Leonilde Lima Infante, que conseguiu alvará para o Ensino Primário e Secundário, dando seguimento ao Colégio Restauração, criado em 1927 por José Raimundo. Mais tarde, a designação foi alterada para Externato de Nossa Senhora do Rosário.
- Externato Dr. João Lúcio, fundado em 1949, pela educadora Bernardete de Jesus Romeira, juntamente com o seu marido, o maestro José Belchior Viegas. Depois, Colégio Bernardette Romeira. A professora Bernardete Romeira promoveu a educação nos concelhos de Olhão e S. Brás de Alportel.
Entretanto, também deram grande contributo ao ensino secundário, professores particulares que davam explicações, e preparavam os alunos para os exames em Faro. Nesse âmbito é de destacar, em Olhão, o trabalho de D. Conceição Pires, que durante várias décadas esteve ligada ao ensino secundário particular.
Muito dedicada ao ensino secundário particular, a professora Conceição Pires dava explicações a alunos individuais e a grupos de alunos, obtendo excelentes resultados. Com os seus ensinamentos, alguns dos seus alunos são hoje empresários de sucesso.
Na realidade, a docente Conceição Pires tinha uma formação sólida e actualizada do Ensino Secundário, e não se limitava a ensinar, pois aconselhava também os seus alunos sobre as dificuldades que a vida profissional e social lhes iria trazer, procurando transmitir-lhes as melhores atitudes que deviam seguir, por forma a singrarem na vida.
Alguns alunos do concelho de Olhão, que terminaram o curso da Escola Industrial de Faro, continuaram os estudos no Instituto Industrial de Lisboa (IIL), vindo a concluir o curso de Electrotecnia e Máquinas. Um dos mais antigos a concluir este curso (1946/1947), foi Diamantino Piloto, uma figura ilustre de Olhão.
Acontece que, na geração seguinte a Diamantino Piloto, um pequeno grupo de quatro alunos do concelho de Olhão, terminou o curso de Electrotecnia e Máquinas no IIL, no ano lectivo de 1968/69.
É aqui de salientar, que o Instituto Industrial de Lisboa, foi a primeira Escola de Engenharia do País, tendo sido fundado por Decreto de 30 de Dezembro de 1852. Hoje, a designação é Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL). O Instituto Superior Técnico (IST) só viria a ser fundado no ano de 1911.
São Brás de Alportel
Aqui, os primeiros passos no Ensino Secundário foram da iniciativa do padre António Inácio e do professor Jorge Gouveia, dando aulas particulares e preparando os alunos para os exames em Faro.
Depois, a professora
Bernardette Romeira, e o seu marido, José Belchior Viegas (1905-1998),
fundaram um Colégio, que em 1958/59, se preparou para leccionar o
Ensino Secundário, e no ano lectivo de 1959/60 iniciou a sua
actividade.
Tavira
Até 1960, não existiram estabelecimentos de ensino, nem público nem particular, no âmbito do Ensino Secundário, em Tavira.
É de salientar, no entanto, que existiu o Posto Agrário de Tavira, fundado em 1926, e a Escola Elementar de Pesca de Tavira, criada em 5 de Agosto de 1945, por iniciativa do comandante do porto de Tavira, José Emílio Henriques de Brito.
Vila Real de Santo António.
Até 1960, não existiram estabelecimentos de ensino secundário em Vila Real de Santo António.