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Casas do século XX

 

Nas primeiras seis ou sete décadas, as casas que vão aparecer definem-se pelas seguintes características: a chaminé vai ser decorada no exterior, apesar de ser ainda comum, neste século, encontrarem-se as chaminés de balão; a fachada vai-se definir por frestas e outras aberturas rodeadas de um círculo de cal, e ao "longo dos anos sessenta, aparece o signo traveste-se em desenho decorativo e o círculo em moldura" (1); aparece o azul cobalto na decoração da fachada, visto o branco revestir agora a totalidade das superfícies; a platibanda vai ser decorada para colocar uma face na casa, surgindo o losango, primeiro através de trechos repetitivos e mais tarde isolado. Também se vai encontrar na área urbana moradias com azulejo e varandas de ferro forjado, mas é nas platibandas que se vê o desejo modernista. Estas características podem-se ver, por exemplo, na rua do Comércio, num edifício de dois pisos mais um mirante que se distingue pelos ornamentos em massa das suas fachadas e pelos vãos. Os vãos do primeiro piso são em forma de arco de volta perfeita, com sacadas de ferro forjado que apresentam um aspecto vegetalista, excepto uma sacada de canto que é de pedra que apresenta um aspecto mais geométrico. No mirante, que é um espaço aberto, existe um pórtico de três arcos trilobados, separados por colunas.

Na rua João de Deus existe um edifício que possui vãos em forma de arco tudor, decorados, e sacadas de ferro forjado com formas vegetais no centro, característica que se vê em muitas sacadas.

Na rua capitão Nobre destacamos um edifício devido à fachada decorada com azulejos e ornamentação vegetalista e ondulante do entablamento e da platibanda, como aparece também na rua Capitão João Carlos Mendonça.

Na rua Ivens há uma casa térrea com vãos de arco abatido, com decorações vegetalistas no friso, que está muito danificado, e uma fachada coberta de azulejos com excepção do soco.

Outros exemplos são edifícios na rua Gonçalo Velho com a rua 18 de Junho e na rua 18 de Junho com a rua Nova da Cruz, o primeiro distingue-se por ser um edifício de planta simétrica de dois pisos, que se caracteriza por ter as fachadas cobertas por azulejos de cor azul e branca, uma platibanda com decoração vegetalista, na zona central, e com losangos, a cornija é decorada e as vãos são rectangulares com uma pequena gradeação em ferro e lintel decorado, e o segundo por ser um edifício de pisos com vãos diversificados, uns são de arco de volta perfeita com fecho não decorado, outros são vãos de arco de volta perfeita e sacadas de ferro forjado e no último andar tem vãos rectangulares, e ter uma fachada principal centralizada, platibanda decorada, que só se vê pequenos vestígios e na fachada lateral tem um óculo que realça a finalização do edifício. Este último edifício está "abandonado".

É na rua 18 de Junho que se encontram vários edifícios interessantes pelas suas fachadas, como já falamos, mas existem outros. Um deles distingue-se pelos seus vãos de arco abatido com lintel, pela platibanda decorada e pela cor azul da fachada, outro por ser um edifício de corpos sobrepostos com vãos rectangulares decorados com formas ondulantes e vegetais, mas o mais interessante desta obra são as letras numa espécie de brasão no centro da platibanda, tanto na fachada principal como na lateral. Este símbolo estará relacionado com a fábrica de lapidação de mármores que existiu anexado a este edifício.

Os últimos exemplos são na Avenida da República onde se pode ver um edifício de fachada assimétrica com vãos diversificados, uns de arco de volta perfeita outros de arco abaulado, com algumas sacadas de ferro forjado e com decorações de argamassa na platibanda e pinturas por baixo do entablamento. Também nesta avenida se situa uma outra casa de fachada simétrica com vãos de arco abaulado decorados nos fechos e platibanda decorada.

As poupanças serviam para transformar as habitações aparecendo muitas junto à estrada, provocatoriamente exibicionista porque era antes de tudo da fachada que se extraíam os sinais de prosperidade dos respectivos habitantes. "Abençoadas pelas frontarias do barroco religioso e pela moda republicanista dos frontões triangulares e balaustradas, as casas de platibanda, ou seja, é a forma mais acabado da casa de fachada, surge muito rapidamente após a I guerra mundial" (24).

 

 

(1)  Jacinto Palma Dias, Algarve Revisitado, 1994, p. 13.

(2)  Jacinto Palma Dias, Algarve Revisitado, 1994, p. 93.

 

 

Fonte: Jubilot, Andreia  - Guia Arquitectónico de Olhão - mimeografado, Universidade do Algarve, 2004